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O que é a ATTAC - Plataforma Portuguesa?

Programa de Acção da ATTAC

Os objectivos genéricos da ATTAC – Portugal (Associação para a Taxação das Transacções Financeiras para a Ajuda aos Cidadãos) são combater a "ditadura dos mercados" e devolver aos indivíduos a capacidade de participar nos processos de decisão política que os afectam.

O ponto de partida da ATTAC é reconquistar o espaço perdido pelas democracias face à esfera financeira, marcada pela prepotência dos capitais, dos seus proveitos e especulações. Para tal, é necessária e prioritária a reivindicação da Taxa Tobin (medida proposta pelo Nobel da Economia James Tobin, em 1972), que visa a taxação em 0,1% dos movimentos no mercado cambial, dificultando a especulação financeira. Mesmo uma taxa de 0,1% dos valores das transacções especulativas no mercado de divisas, poderá conduzir à obtenção de cerca de 100 mil milhões de dólares anuais, com implicações notáveis para a luta contra as desigualdades sociais, para a promoção de programas de educação e saúde pública em países pobres, eliminação da fome a nível mundial, bem como na ajuda de um desenvolvimento sustentável à escala global. A reivindicação da Taxa Tobin é uma medida anti-especulativa, e implica a defesa da erradicação dos paraísos fiscais, “desarmando” os mercados.

Reivindicar esta medida é um objectivo prático e simbólico, não se tratando de uma meta final, contudo define, desde já, um campo concreto de construção de liberdade, de justiça social, e de combate ao neoliberalismo. Este combate passa pela crítica, protesto e reivindicação, bem como pelo erguer de contra-hegemonias, processo este que se funda desde logo na construção concreta de alternativas. Verifica-se, e de forma exponencial, a entrega da decisão política a grupos e instâncias, que não são submetidas ao juízo dos cidadãos. As populações são incentivadas a aceitar passivamente as orientações dessas instâncias. Há que romper com essa passividade, através de movimentos de opinião, de mobilização de vontades, e da construção de espaços sociais de encontro dessas mesmas vontades. A associação das diferentes visões críticas torna credível a ideia de que um outro mundo é possível.

A "ditadura dos mercados" condiciona grande parte da nossa vida quotidiana, através de:

- a privatização da segurança social, transformando os fundos de pensões em dados do jogo da especulação bolsista, bem como a privatização de serviços e bens públicos, da água à educação;
- a extinção de diversos modelos de produção agrícola e a imposição do consumo de produtos transgénicos das multinacionais, associadas a um processo de fragilização do pequeno comércio e pequena indústria;
- a monopolização das redes de comunicação digital e a fragilização do espaço público de televisão;
- a isenção e o privilégio que em matéria fiscal é reservado à Banca e ao sector financeiro em geral: dos paraísos fiscais à manutenção do sigilo bancário;
- a desregulamentação das relações laborais, aniquilando direitos sociais e individuais de liberdade;
- os aumentos do IVA ou dos impostos sobre os rendimentos do trabalho;
- a formação, a partir dos fluxos migratórios, de contingentes de mão-de-obra clandestina e desprovida de direitos laborais e de cidadania;
- a tentativa de impedimento, por parte das multinacionais farmacêuticas, da produção de genéricos no combate à SIDA, bem como, a apropriação do conhecimento científico sobre o genoma humano para efeitos de negócio;
- a poluição e a destruição de ecossistemas provocadas pela actividade das multinacionais, e a ausência ou desrespeito de acordos internacionais sobre protecção do ambiente, inviabilizando um desenvolvimento sustentável;
- a privatização do património genético e da biodiversidade (através das patentes);
- a guerra como forma, por excelência, de política, e como via para a expansão económica dos grandes grupos de interesse economico-financeiros;
- a hegemonia de uma indústria cultural que tende a absorver e a eliminar tudo o que no campo da imaginação humana, das artes à ciência, não se submeta às regras do mercado.

A “ditadura dos mercados” é pois um programa bastante completo. Por isso, a ATTAC intervém num plano muito mais vasto e abrangente do que à primeira vista poderia fazer supor.

A ATTAC é uma novidade, dado o espaço em que concebe o seu plano e objecto de acção – um espaço global –, assim como pelas suas formas de acção. Trata-se de uma organização nova, estruturada de acordo com a ideia de rede e não de acordo com o princípio vertical da hierarquia, vivendo da diversidade, da responsabilização e da autonomia dos seus activistas.

A ATTAC é uma rede internacional, existindo em mais de 40 países, e pretende actuar a nível mundial. Esta pretensão não é apenas uma questão de ambição de uma ideia universal, mas é desde logo uma questão de constatação. Nos finais da década de 90 começou a ficar claro para os activistas sociais que o neoliberalismo actuava, e actua, aquém e além das fronteiras nacionais, diminuindo as possibilidades de controlo por parte dos Estados-Nação.

Grande parte das imposições neoliberais surgiram directamente associadas a instituições internacionais não eleitas, nem democraticamente controladas, como o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Mundial, a Organização Mundial do Comércio (OMC) e o G8. Estes organismos internacionais e o Tesouro Americano traçaram uma política económica e social a que chamaram o Consenso de Washington. Este programa ideológico tem sido aplicado, é certo que diversamente, na maior parte dos países, e com resultados desastrosos. A crise asiática, a situação no espaço da ex-União Soviética e a "falência" da Argentina são exemplos vivos e recentes desta política.

No actual contexto político nacional, perante a dinâmica da expansão de políticas governativas neoliberais, em assuntos como a política fiscal, o código do trabalho, a segurança social, entre outros, a acção da ATTAC – Portugal é uma questão de urgência.

Um Outro Mundo é Possível!. Contudo para tal é preciso multiplicar as lutas locais e globalizar a resistência.

 





 

 

   
 
   
 
   
   
   

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