RECESSÃO, DESTRUIÇÃO DA ECONOMIA,
DESEMPREGO E GUERRA:- alguns dados que ajudam a compreender a situação
económica e social portuguesa
Eugénio Rosa - Economista
Março
de 2003
Portugal e os portugueses enfrentam neste
momento um dos períodos mais difíceis da sua história pós-25 de Abril.
A explosão do desemprego verificada nos últimos meses assim como a recessão
económica em que o País já está mergulhado são simultaneamente sintomas
e consequências de uma situação que tenderá a manter-se e mesmo a agravar-se se
o rumo que o país está a seguir não for alterado rapidamente.
Este estudo fornece um conjunto de
dados oficiais que ajudam a compreender a gravidade da situação actual
a qual resulta não só da crise internacional como muitas se pretende fazer
crer, mas tem causas não apenas financeiras mas fundamentalmente económicas
acumuladas ao longo de muitos anos que tornam a crise actual muito mais
e certamente duradoura.
E como tudo isso já não fosse suficiente,
essa situação económica, por um lado, ainda está a ser agravada por
um politica governamental financista e contabilística, dominada quase
exclusivamente pela preocupação de cumprir o défice imposto por Bruxelas,
que está a destruir ainda mais a economia do país e, por outro lado, poderá sofrer
um forte impacto negativo se a guerra contra o Iraque se concretizar. Portanto,
o que está em perigo é o presente e o futuro dos portugueses, e é necessário
que saibam porque razão a economia portuguesa está tão fragilizada e quais
as consequências sociais prováveis de tal situação.
UM
DESENVOLVIMENTO ECONÓMICO NÃO SUSTENTÁVEL
Para se poder compreender porque
razão a economia portuguesa está muito mal preparada para enfrentar a crise
mundial, o que torna a situação muito mais grave para portugueses, interessa
analisar que tipo de desenvolvimento económico se verificou em Portugal
nos últimos anos, como consequência das politicas que têm sido seguidas
pelos sucessivos governos.
Para isso comece-se por observar
os dados do quadro I, que são dados oficias publicados pelo Instituto Nacional
de Estatística (INE).
QUADRO
I - Aumento do PIB “percapita” calculado com base na População
Total e na População Empregada a preços correntes entre 1995 e
2002
|
ANOS
|
PIB em euros apreços correntes
|
População. Total
|
População
.Empregada
|
PIB percapita
PopilaçãoTota
l
|
PIB percapita
População
Emregada
|
Aumento em %
do PIB percapita sempre em
relação a 1995
(Base=1995)
|
|
1995
|
80.826.800.000
|
9.932.000
|
4.420.904
|
8.138
|
18.283
|
PIB/Pop.Total
|
PIB/Pop.Emp
|
|
1996
|
86.230.400.000
|
9.997.700
|
4.473.313
|
8.625
|
19.277
|
6,0%
|
5,4%
|
|
1997
|
93.003.100.000
|
10.063.400
|
4.578.649
|
9.242
|
20.312
|
13,6%
|
11,1%
|
|
1998
|
100.927.300.000
|
10.129.100
|
4.863.300
|
9.964
|
20.753
|
22,4%
|
13,5%
|
|
1999
|
107.741.000.000
|
10.170.500
|
4.928.700
|
10.593
|
21.860
|
30,2%
|
19,6%
|
|
2000
|
115.041.700.000
|
10.229.100
|
5.028.900
|
11.247
|
22.876
|
38,2%
|
25,1%
|
|
2001
|
122.705.400.000
|
10.304.900
|
5.098.400
|
11.907
|
24.067
|
46,3%
|
31,6%
|
|
2002
|
129.178.000.000
|
10.391.900
|
5.122.967
|
12.431
|
25.215
|
52,7%
|
37,9%
|
|
Aumento entre 1995 e 2002
|
459.900
|
702.063
|
4.293
|
6.933
|
52,7%
|
37,9%
|
FONTE: 1995 a 2001 Contas Nacionais
Trimestrais 4º Trimestre 2001 INE
2002
(Estimativa ) Boletim Mensal de Estatística Dezembro de 2002 INE
Os dados oficiais do quadro anterior
são extremamente importantes para se poder compreender o tipo de desenvolvimento
registado em Portugal nos últimos anos, e a natureza e dimensão dos problemas
económicos e sociais que o nosso país enfrenta neste momento.
De acordo com os dados do quadro
I, o PIB ( Produto Interno Bruto), ou seja, a riqueza criada em cada
ano no nosso País atingiu, em 1995, 80.826,8 milhões de euros e, em 2002, mais
de 129.178 milhões de euros.
Por outro lado, e como consta também
do quadro anterior, a População Total portuguesa totalizava, em 1995,
precisamente 9.997.700 habitantes. Se dividirmos o PIB de 1995 80.826,8
milhões de euros pelo número de habitantes do mesmo ano obtém-se 8.138
euros por habitante, como consta do quadro, que se chama PIB “percapita” por
habitante. Se fizermos o mesmo para 2002, obtém-se o valor de 12.431 euros
como também consta do quadro. Isto significa que, entre 1995 e 2002, o
PIB “percapita” tomando como base a população total aumentou 52,7%.
Vamos agora fazer os mesmos cálculos
para os mesmos anos tomando como base agora não a população total mas sim
a população empregada em cada um daqueles anos. Se dividirmos o valor do
PIB de 1995 80.826,8 milhões de euros - pela população empregada no mesmo
ano 4.420.904 como consta do quadro I obtém-se 18.283 euros por empregado,
portanto um valo superior ao anterior porque a população empregada é muito
inferior à população total (apenas 44,5% da primeira). Se fizermos o mesmo
cálculo para 2002 obtém-se o valor de 25.215 euros por empregado como consta
também do quadro. Isto significa que, entre 1995 e 2002, o PIB “percapita “ por
empregado aumentou 37,9%.
Se compararmos o aumento registado
entre 1995 e 2002 no PIB “percapita” por habitante que se tinha calculado
anteriormente mais 52,7% - com o aumento verificado durante o mesmo período
no PIB “percapita “ por empregado que acabamos de calcular mais 37,9%
- concluímos que o aumento verificado no PIB por habitante foi muito superior
ao PIB por empregado.
Isto significa que o crescimento
económico do nosso País tem sido conseguido nos últimos anos fundamentalmente à custa
da utilização de uma maior numero de empregados do que como resultado
de um crescimento significativo do produzido por cada empregado.
Os dados do quadro I também mostram
esse facto de outra forma. Entre 1995 e 2002, a população total portuguesa
aumentou em 455.900 habitantes, enquanto a população empregada cresceu
em 702. 063, ou seja, quase o dobro. Em percentagem da população total,
a população empregada cresceu, entre 1995 e 2002, de 44,5% para 49,3% da
população total.
Mas este crescimento económico mais
extensivo do que intensivo ainda se torna mais claro se utilizarmos para
os cálculos valores do PIB a preços constantes, ou seja, se anularmos o
efeito do aumento de preços.
O quadro II, que se apresenta seguidamente,
mostra os resultados que se obtêm se utilizarmos os valores do PIB a preços
constantes de 1995.
QUADRO
II Aumento do PIB “percapita” por habitante e por empregado a preços
constantes de 1995, entre 1995 e 2001
|
ANOS
|
PIB a preços constantes de 1995
Euros
|
População
Total
|
População
.Empregada
|
PIB percapita
por habitante
Euros
|
PIB percapita por empregado
Euros
|
|
1995
|
80.826.800.000
|
9.932.000
|
4.420.904
|
8.138
|
18.283
|
|
2001
|
99.040.900.000
|
10.391.900
|
5.122.967
|
9.531
|
19.333
|
|
Aumento entre 1995 e 2001
|
|
|
17,1%
|
5,7%
|
FONTE: Contas Nacionais Trimestrais 4º Trimestre
2001 INE
Portanto, se eliminarmos o efeito
do aumento de preços, como foi feito nos dados do PIB do quadro anterior,
já que a subida de preços não corresponde a um aumento real da riqueza
produzida (apenas paga-se mais pelo mesmo); repetindo se eliminarmos o
efeito do
aumento de preços conclui-se que,
entre 1995 e 2001, o PIB por habitante cresceu 17,1% enquanto o PIB por
empregado aumentou apenas 5,7% , ou seja, menos de um terço da subida verificada
no primeiro.
É evidente, que o crescimento económico
do nosso País tem sido obtido fundamentalmente à custa da incorporação
de mais trabalhadores na produção, nomeadamente mulheres, e não através
do aumento significativo do produzido por cada um.
É evidente que este crescimento fundamentalmente
extensivo que tem caracterizado o modelo de desenvolvimento português fragiliza
a economia portuguesa, contribuindo também para reduzir a sua competitividade.
SERÃO OS TRABALHADORES OS CULPADOS
DESTE MODELO DE CRESCIMENTO DISTORCIDO ?
As entidades patronais e o governo
procuram culpabilizar os trabalhadores da baixa produtividade verificada
em Portugal (cerca de 64% da média da União Europeia). Foi essa até uma
das razões mais utilizadas pela propaganda governamental e patronal para
justificar a eliminação de inúmeros direitos dos trabalhadores que o Código
de Bagão Félix pretende fazer.
No entanto, se se não se ficar pelas
aparências, e se fizer uma análise séria e profunda das razões dessa situação,
rapidamente se conclui que as causas são bem diferentes.
Para isso, observem-se os dados do
quadro III, que são também dados oficiais publicados pelo Instituto de
Estatística Nacional (INE).
QUADRO III Dimensão
do investimento em Portugal e a forma como ele é aplicado entre 1995
e 2001
|
ANOS
|
PIB
A preços correntes
Euros
|
FBCF
(Investimento Total Bruto)
-Euros
|
FBCF/PIB
(% que o investimento Total
representa em relação PIB)
|
FBCF_Construção
(Investimento na
Construção
|
% que a FBCF_ Construção
representa da FBCF Total
(% que o investimento na
Construção tem representado em relação ao Investimento Total)
|
|
1995
|
80.826.800.000
|
18.457.400.000
|
22,8%
|
9.920.700.000
|
53,7%
|
|
1996
|
86.230.400.000
|
20.123.000.000
|
23,3%
|
10.647.870.000
|
52,9%
|
|
1997
|
93.003.100.000
|
23.771.400.000
|
25,6%
|
12.604.400.000
|
53,0%
|
|
1998
|
100.927.300.000
|
27.125.400.000
|
26,9%
|
13.792.500.000
|
50,8%
|
|
1999
|
107.741.000.000
|
29.531.800.000
|
27,4%
|
14.826.500.000
|
50,2%
|
|
2000
|
115.041.700.000
|
32.869.200.000
|
28,6%
|
16.501.100.000
|
50,2%
|
|
2001
|
122.705.400.000
|
33.730.800.000
|
27,5%
|
17.584.800.000
|
52,1%
|
|
TOTAL
|
706.475.700.000
|
185.609.000.000
|
26,3%
|
95.877.870.000
|
51,7%
|
FONTE: Contas Nacionais Trimestrais 4º Trimestre
2001 INE
Os dados oficiais do quadro anterior
mostram que a FBCF (Formação Bruta de Capital Fixo), ou seja, o investimento
total realizado em Portugal em cada ano tem representado, em média, mais
de 26% do PIB (Produto Interno Bruto) português, o que é um dos valores
mais elevados em toda a União Europeia ( a FBCF no ano 2000
pelo sector privado atingiu 24,8% do PIB em Portugal, enquanto a média
para os 15 países da U.E. foi, no mesmo ano, apenas de 18,3% do PIB).
No entanto, e como mostram também
os dados do quadro III, quase 52% do investimento português é realizado
no sector da “Construção”, ou seja, em habitações e em infraestruturas,
isto é, investimentos que, na sua maioria, não aumentam a capacidade produtiva
do país tendo reflexos reduzidos no aumento da produtividade e da competitividade
nacional.
Em muitos casos, como tem sucedido
em relação às principais infraestruturas (ex. autoestradas), face à incapacidade
das empresas portuguesas para tirarem proveito deles e se internacionalizarem,
têm sido principalmente as empresas estrangeiras, nomeadamente espanholas,
que mais os utilizam para aumentar a concorrência às empresas portuguesas
no próprio mercado português.
Esta orientação maioritária do investimento
realizado em Portugal para bens que não determinam um aumento significativo
da produtividade e da competitividade nacional (os chamados bens não transacionáveis),
por um lado, resulta da incapacidade e da incompetência da maioria dos
empresários portugueses em investir nos elos mais nobres cadeia de valor,
que permitiria aumentar a competitividade e rentabilidade (ex.: inovação,
qualidade, marca, canais de distribuição, marketing, internacionalização,
etc.); por outro lado, é determinado pelo desejo de enriquecer rapidamente
através de aplicações em actividades especulativas como sucede com a construção
civil; e, finalmente tal prioridade nos investimentos realizados tem contribuído
para consolidar um modelo de “desenvolvimento” que se caracteriza maioritariamente
por trabalho pouco qualificado e de baixas remunerações como sucede com
a construção civil.
A FALTA DE COMPETITIVIDADE DOS
PRODUTOS PORTUGUESES
Este comportamento empresarial que
tem tido na prática o apoio dos sucessivos governos e da banca com
o seu marketing agressivo tem determinado a perda da competitividade da
produção nacional bem revelada nos últimos dados referentes às importações
e às exportações portuguesas que constam dos quadros seguintes (quadros
IV e V).
QUADRO
IV- Exportações (Saídas ) e Importações (Entradas) de Janeiro a Outubro
de 2002 ( últimos dados publicados ) por produtos
| |
Movimento
de Janeiro a Outubro 2002
|
|
|
PRODUTOS
|
Saídas
|
Entradas
|
SALDO
|
Variação
em % das Saídas
|
| |
Milhões ¤
|
Milhões ¤
|
Milhões ¤
|
Relativamente às
exportações de 2001
|
|
TOTAL GERAL
|
22.691,7
|
34.010,4
|
-11.318,7
|
+
1,3%
|
|
Agrícolas
|
698,2
|
2.926,2
|
-2.228,0
|
+
4,7%
|
|
Alimentares
|
904,4
|
1.284,1
|
-379,7
|
+
8,3%
|
|
Combustíveis
|
453,8
|
3.448,3
|
-2.994,5
|
+
2,8%
|
|
Madeira,Cortiça
|
1.092,3
|
522,2
|
570,1
|
+
3,2%
|
|
Matérias Texteis
|
1.588,7
|
1.673,2
|
-84,5
|
-1,7%
|
|
Vestuário
|
2.371,5
|
911,6
|
1.459,9
|
-4,9%
|
|
Calçado
|
1.316,1
|
340,1
|
976,0
|
-7,4%
|
|
Máquinas e aparelhos
|
4.352,8
|
6.899,8
|
-2.547,0
|
+
1,7%
|
|
Veículos e outro material de
transporte.
|
3.862,7
|
4.795,8
|
-933,1
|
+
0,9%
|
|
SUBTOTAL
|
16.640,5
|
22.801,3
|
-6.160,8
|
|
|
% Total Geral
|
73,3%
|
67,0%
|
54,4%
|
|
FONTE:- Boletim Mensal de Estatística Dezembro
de 2002 INE
Os dados do quadro IV, revelam que
as importações (entradas) foram superiores às exportações (saídas) em cerca
de 11.318,4 milhões de euros, o que corresponde a cerca de metade de todas
as exportações portuguesas no período considerado, o que revela a falta
de competitividade da economia portuguesa no próprio mercado interno português.
Para além disso, os produtos que têm maior peso nas exportações portuguesas
( os chamados produtos tradicionais de exportação), como são os texteis,
o vestuário e o calçado, registaram em 2002, relativamente a 2001, importantes
quebras nas vendas no mercado externo (respectivamente, -1,7%, -4,9% e
-7,4% ), o que revela também uma clara perda de competitividade.
O quadro V, que a seguir se apresenta,
completa o anterior já que apresenta os mesmos dados agora repartidos por
países
QUADRO
V- Exportações (Saídas ) e Importações (Entradas) de Janeiro a Outubro
de 2002 ( últimos dados publicados ) por países
| |
Movimento
de Janeiro a Outubro de 2002
|
|
PAÍSES
|
Saídas
|
Entradas
|
SALDO
|
| |
Milhões
de euros
|
Milhões
de euros
|
Milhões
de euros
|
|
TOTAL GERAL
|
22.691,7
|
34.010,4
|
-11.318,7
|
|
UNIÃO EUROPEIA
|
18.065,7
|
26.091,4
|
-8.025,7
|
|
Alemanha
|
4.157,3
|
5.117,1
|
-959,8
|
|
Bélgica
|
1.036,6
|
1.040,2
|
-3,6
|
|
Espanha
|
4.586,3
|
9.500,7
|
-4.914,4
|
|
França
|
2.898,5
|
3.512,4
|
-613,9
|
|
Itália
|
1.056,8
|
2.228,8
|
-1.172,0
|
|
Paises Baixos
|
844,9
|
1.533,3
|
-688,4
|
|
Reino Unido
|
2.396,2
|
1.795,5
|
600,7
|
|
SUBTOTAL
|
16.976,6
|
24.728,0
|
-7.751,4
|
|
% da U.E.
|
94,0%
|
94,8%
|
|
|
% do TOTAL
|
74,8%
|
72,7%
|
|
|
OUTROS PAÍSES
|
|
|
|
|
OPEP
|
169,2
|
1.439,3
|
-1.270,1
|
|
Estados Unidos
|
1.320,9
|
765,6
|
555,3
|
FONTE:- Boletim Mensal de Estatística Dezembro
de 2002 INE
Dos dados do quadro V interessa fundamentalmente
chamar a atenção para o facto de que as exportações de Portugal para Espanha
( 4.586,3 milhões de euros) representam menos de metade do que aquilo que
Espanha vende a Portugal (9.500,7 milhões de euros), o que mostra claramente
a falta de competitividade da economia portuguesa relativamente à espanhola.
O saldo negativo com Espanha (-4.914,4 milhões de euros) representa mais
de metade do saldo negativo com toda a U.E. (-8.025,7 milhões de euros
) e mais de 43% do saldo negativo total da Balança Comercial Portuguesa,
o que revela o claro e crescente domínio da economia portuguesa pela economia
espanhola, que a politica seguida pelo actual governo tem agravado ainda
mais (recorde-se a recente reunião dos empresários portugueses organizada
pelo governo em que o principal orador foi o presidente de um banco espanhol,
o que provocou um profundo mal estar entre os grandes patrões portugueses
como noticiou o semanário Expresso)
DESEMPREGO ELEVADO E ESTRUTURAL
:- o problema social mais grave
O governo está a seguir uma politica
orientada fundamentalmente por preocupações financeiras visando cumprir
o valor do défice fixado por Bruxelas. Esta politica financista e contabilística
está a ter graves consequências quer em termos sociais (explosão no desemprego,
degradação do poder de compra da população, pessimismo geral, etc.) quer
em termos económicos (quebra de investimento, recessão económica, perda
de competitividade, destruição do aparelho produtivo nacional, etc.), cavando
assim um fosso que ampliará a duração da crise tornando mais difícil e
prolongada a sua recuperação.
Este facto associado a uma reduzida
capacidade da economia portuguesa para enfrentar uma crise internacional
prolongada como ficou claro da análise feita, bem como a guerra em que
o governo contra a vontade da maioria dos portugueses envolveu o
país, cedendo o território nacional para uma cimeira de guerra que, a verificar-se, agravará e
prolongará a crise internacional o que terá profundas consequências na
economia e sociedade portuguesa mostra também que o desemprego elevado
e prolongado constitui o problema social real mais grave que o pais enfrenta,
e que não resolve com as medidas de cosmética que o governo tomou. Mas
a análise das consequências económicas e sociais para os portugueses da
guerra que se avizinha a passos largos assim como de uma política diferente
da que está a ser seguida pelo governo já não cabem neste estudo.