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:: Fórum Pensar a Globalização, Globalizar as Resistências ::

FORUM
Pensar a Globalização,
Globalizar as Resistências

19 e 20 de Maio - Anfiteatro da Faculdade de Letras

São múltiplas as dimensões que assume a globalização actualmente em curso.
É difícil separá-las de tão intrincadas que estão. É difícil encontrar um denominador
comum que permita a sua visão global. Todavia, são já visíveis os seus efeitos ao nível da vida de milhões de cidadãos por todo o mundo.

Ainda que timidamente, as reacções individuais e colectivas vão surgindo.

Há que aprofundar o debate e o conhecimento. É necessário agir. É urgente
estabelecer uma contra-corrente esclarecida.

Procurar um fio condutor que permita uma visão de conjunto sem perder
a especificidade das partes, mais ligadas a aspectos concretos, deve ser
o suporte de uma acção sustentada. Por isso, é necessário pôr em contacto
os investigadores e os actores sociais envolvidos em movimentos e organizações
sociais. Promover o debate e o confronto. Procurar esclarecer, para melhor agir.

Este Forum tem esse objectivo. Nele serão abordados temas relativos à
agro-indústria, à economia e suas relações com os poderes políticos e de regulação, aos aspectos culturais, à globalização das resistências e aos trabalhadores.

Eis os principais contornos do que se pretende debater em cada uma destas áreas:
- Na segunda metade do século XX, a agricultura foi substituída pela indústria agro-alimentar. A produção, a industrialização e a distribuição de alimentos têm-se concentrado aceleradamente em algumas empresas. A organização do comércio mundial é a expressão do domínio económico dos E.U.A. nesta área.

Assim, é importante questionar os aspectos da segurança alimentar, da independência dos países, da cultura e aculturação do consumo e dos modelos de desenvolvimento.
- Ao nível económico e das relações com o poder político, o fenómeno actual encontra paralelo em outros contextos sociohistóricos: há que identificar as permanências e as distinções. A globalização económica capitalista tem uma expressão clara ao nível do desenvolvimento, da apropriação desigual da tecnologia, da concentração na produção e nos mercados e da mobilidade espacial de capitais, empresas e pessoas: há que conhecer os seus agentes nacionais e internacionais e as suas relações de poder. A vertente política da globalização tem vindo a assumir visibilidade através da acção de organizações nacionais e internacionais de regulação, imposição e legitimação do processo.

Mas económico e político estão cada vez mais associados: há que conhecer quem são os patrões-dos-patrões e avaliar as implicações da sua acção para o desenvolvimento dos povos.

- A cultura de hoje é cada vez mais uma cultura de capitais e de capitais da cultura. Empresas multinacionais moldam-nos o gosto e a mente com novos produtos estandardizados pelas indústrias culturais. Vamos ficando cada vez mais desarmados para assumirmos a nossa identidade! Uma identidade não alienada, mas que tenha a dimensão da satisfação das nossas necessidades, do nosso prazer. Onde estão os cineclubes que se oponham à massificação de hollywood ? E as associações culturais locais e regionais - gastronómicas, musicais, linguísticas e de todo o tipo - que se confrontem com a padronização do consumo da cultura. Há que promover a diversidade cultural contra a padronização dos consumos, reinventar a criatividade e a participação: uma cultura construída a partir das pessoas e para as pessoas, particularmente das socialmente marginalizadas; uma cultura de intercâmbio entre povos e pessoas.

- A globalização concentra hoje os vários poderes nas mãos de uns tantos.

Ela submete os povos e os países periféricos, do mesmo modo que marginaliza largas camadas da população dos países dominadores do centro.

Resistir é preciso! Mas como articular e globalizar as resistências que actuam dentro e fora do sistema contra a globalização dominante, nos domínios do económico, do político, das relações capital/trabalho, do ambiente, do consumo, da informação, da sexualidade e da cultura? E, ainda, qual o papel dos nacionalismos no combate à globalização?

24 de Fevereiro de 2000

 

Organização:Abril em Maio, Associação dos Amigos do "Monde Diplomatique-edição portuguesa", Attac - Plataforma Portuguesa, Base FUT, Chapitô - Colectividade Cultural e Recreativa de Sta Catarina, Cidadãos de Lisboa Contra A Guerra, Livraria "Ler Devagar", Museu da República e da Resistência, Opus Gay





 

 

   
 
   
 
   
   
   

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