Tomada de posição da ATTAC-Portugal
sobre o início da cimeira da OMC em Seattle
A ATTAC - Plataforma Portuguesa, perante a realização em Seattle
da conferência da Organização Mundial do Comércio
(OMC) entende dever chamar a atenção para o seguinte:
Embora não se possam antecipar as conclusões da conferência,
a história recente desta organização suscita-nos as maiores
apreensões.
Sob a capa de reguladora do comércio internacional e
a OMC tem sistematicamente
posto os interesses dos mercados à frente dos interesses da saúde
pública e da ecologia, desrespeitando até os mais elementares
direitos humanos, escondendo, por exemplo, se num produto está ou não
incorporado trabalho infantil ou se os produtos são ou não geneticamente
modificados. Em Seattle não se discutirão melhores salários,
aprofundamento das medidas de protecção ambiental e controlo
da manipulação
de alimentos. Discutir-se-á como defender os interesses das grandes
empresas transnacionais, à revelia da vontade dos povos, vista como
obstáculo à circulação
de capitais e mercadorias.
Nesse sentido, as organizações governamentais
ou não governamentais
que exprimem as opiniões dos cidadãos, devem estar atentas, manifestar
os seus pontos de vista e exigir aos seus representantes tomadas de posição
claras na defesa dos interesses das populações.
Entendemos, assim:
- apelar ao Governo português para que cumpra os seus
compromissos assumidos nas conferências do Rio e de Quioto;
- apelar ao Governo português para que divulgue a agenda da conferência
e a sua posição sobre a mesma;
- apelar ao Governo português para que seja firme na defesa da moratória
sobre uma nova liberalização do comércio;
- apelar aos partidos políticos para que cumpram o seu mandato, alertando
o povo português para o que está em discussão na conferência
de Seattle;
- apelar aos partidos políticos para que obriguem o Governo a expor no
Parlamento as suas intenções sobre a liberalização
do comércio;
- apelar ao povo português para que se mantenha atento e que faça
crescer a onda de opinião mundial contra a ditadura dos mercados.
A ATTAC
- plataforma portuguesa entende que se deve dizer NÃO à ditadura
das multinacionais, em que a globalização serve de pretexto para
o seu enriquecimento à custa da pobreza e da miséria das populações.