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:: ATTAC - OMC ::

ATTAC E A OMC

OMC reunida em Cancun contra os interesses
dos países pobres e em vias de desenvolvimento:
Posição da ATTAC

 

A OMC é uma organização mundial criada em 1995 fora do âmbito das Nações Unidas, sob os auspícios dos países mais ricos, em particular os EUA, para promover a liberalização no comércio mundial. Tem hoje 145 países membros. Mas não tem tido uma vida fácil.

A OMC promoveu uma primeira reunião ministerial em Seattle, em 1999, que resultou num rotundo fracasso. A segunda reunião ministerial, em Doha, no Qatar, em 2001, teve como objectivo fundamental associar os países em desenvolvimento à liberalização crescente das trocas comerciais. Os fraquíssimos resultados dessa reunião não conseguiram fazer esquecer Seattle e vão agora ser levados à mesa das negociações na terceira reunião ministerial, que se realiza em Cancun, no México, entre os dias 10 e 14 de Setembro, com dois pontos a dominar a agenda:

  • a aceleração do processo de negociações desencadeado em Doha, em 2001;
  • a tomada de decisão de alargar as negociações a novas matérias como o investimento, os mercados públicos, as regras da concorrência e a facilitação das trocas.

O objectivo principal é criar condições para que o AGCS (Acordo Geral de Comércio e Serviços, um dos acordos fundadores da OMC) entre em vigor em 1 de Janeiro de 2005, mas o pessimismo (entre os “entusiastas” da OMC, é claro) continua a ser a nota dominante. É que, depois de uma fase de luta aberta entre os EUA e a União Europeia, envolvendo os gigantescos subsídios destes países às suas exportações agrícolas, os negociadores chegaram a um acordo mas este começou desde logo a ser contestado e continua a não ser posto em prática: os subsídios à agricultura continuam, e nalguns casos aumentaram. E, nesta luta global, começa pela primeira vez a aparecer uma terceira força: os chamados países em desenvolvimento, que finalmente começaram a ter uma voz e se opõem hoje com bastante mais decisão aos EUA e à União Europeia, em coisas tão importantes como a política de subsídios à agricultura e a política de desarmamento alfandegário para produtos industriais. Mas os países ricos pressionam, quer recorrendo à chantagem sobre as dívidas e sobre as condições em que se dispõem a conceder empréstimos ou cooperação, quer cedendo em coisas menores, mas nem por isso menos importantes para os países mais pobres, como a possibilidade de estes poderem fabricar ou comprar a baixo preço alguns medicamentos genéricos.

É esta luta, esta tensão entre os que beneficiarão com o comércio livre e os que pretendem opor-se-lhe (mas nem sempre com força suficiente para o fazer), que está na ordem do dia.

O chamado comércio “livre”, ao contrário do que afirmam os seus promotores, não é verdadeiramente livre e não favorece o desenvolvimento global: pode favorecer o crescimento económico, mas apenas nos países e para as entidades que partem para o mercado em superioridade, em condições de poderem ditar as suas leis a todos os outros. E a experiência dos anos recentes vem confirmar que, mesmo que promova o crescimento da riqueza global, não garante uma distribuição justa dos frutos desse crescimento e favorece, como tem sido abundantemente demonstrado, o dumping social e ambiental. Por isso entendemos que a OMC é uma organização que serve exclusivamente os interesses dos países ricos, a que os países pobres aderem, nalguns casos por serem dirigidos por governantes sem escrúpulos, e noutros quase forçados, porque as pressões e a chantagem dos países ricos lhes não deixam muitas alternativas.

Portugal, apesar de não ser considerado, tecnicamente, como um país pobre, sofre também as consequências nefastas de uma política de liberalização como a que a OMC quer impor, designadamente devido à sua posição de dependência e inferioridade no quadro da União Europeia. E o secretismo quase absoluto com que a União Europeia conduziu todo este processo, com a apresentação de propostas de abertura do mercado de serviços a 109 países, não deixa antever nada de bom, sabido como é que a política externa da UE não tem habitualmente em conta os interesses dos seus países menos desenvolvidos.

Por tudo isto a ATTAC Portugal:

  • denuncia com todo o vigor a reunião de Cancun e os seus objectivos;
  • manifesta a sua inteira solidariedade para com a luta dos países pobres e em vias de desenvolvimento, contra a imposição de regras no comércio internacional, que lhes serão inteiramente nocivas;
  • afirma que contribuirá, por todas as formas ao seu alcance, para engrossar a luta e a solidariedade internacionais (que em grande medida têm ajudado esses países a criar condições para começarem a fazer ouvir a sua voz) contra a política que a OMC pretende impor e exige:
    • que seja decretada uma moratória para a entrada em vigor do AGCS (que está previsto vigorar a partir de 1 de Janeiro de 2005);
    • respeito pela Declaração Universal dos Direitos do Homem e das convenções internacionais sobre questões sociais, sanitárias, ambientais e culturais;
    • retirada dos Serviços Públicos e dos sectores essenciais do âmbito da OMC (e AGCS) e, em particular, que deixem de ser considerados como Serviços Públicos apenas os que “forem fornecidos numa base não comercial e não concorrencial”;
    • respeito sistemático do princípio da precaução em matéria de ambiente, de saúde pública e de alimentação;
    • transparência absoluta sobre as negociações em curso, em particular sobre as posições que, envolvendo Portugal, têm vindo a ser assumidas pela EU nesta negociação.

 





 

 

   
 
   
 
   
   
   

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